Alguns mais iguais que os outros

Postado por: admin | Data: 12 de janeiro de 2016 | Categoria: Artigo Eduardo Ribeiro

Oscar acorda cedo todos os dias para pegar onda. Quando o mar está flat ele dá umas voltas de SUP e volta praticando uma corrida leve para casa. Depois de pronto ele pega sua bike e vai para o trabalho vestindo roupas leves que evitam o suor excessivo. Na hora do almoço prefere alimentos naturais e orgânicos. Durante o dia cuida de sua hidratação e sempre que pode dá uma lida nos sites de esporte e saúde. Um de seus maiores orgulhos é não precisar calçar um sapato fechado há muito tempo.

Ricardo sempre perde a hora para o trabalho. Sua corrida é dentro de casa onde precisa vestir sua roupa formal de advogado (terno, gravata e sapato social) antes de pegar o carro e dirigir até o seu escritório. Nunca tem tempo para comer, então acaba engolindo um sanduíche com refrigerante em sua própria mesa de trabalho entre um processo e outro. A falta de exercício e sua alimentação precária tem trazido graves problemas de saúde, mas Ricardo mal tem tempo de consultar um médico, quanto mais mudar seu estilo de vida.

Oscar e Ricardo parecem viver em mundos totalmente separados mas, na verdade, são vizinhos de porta. Além de morar no mesmo edifício, nasceram no mesmo ano e comemoram aniversário no mesmo mês! Suas rendas mensais também são bastante parecidas e ambos são casados e possuem dois filhos. Além disso, eles são semelhantes em outras coisas como… tipo… por exemplo… não. Não são parecidos em mais nada. Possuem estilos de vida diferentes, fazem escolhas distintas e, claro, consomem produtos e marcas diametralmente opostas.

É muito fácil perceber isso pelo jeito que se vestem, pelo carro que dirigem e pelas escolhas de férias e lazer. Então faço a pergunta: se são tão diferentes, por que ambos se encaixam perfeitamente na descrição de público-alvo da marca em que você trabalha? Você já deve ter ouvido algo como “nossos clientes são homens de meia idade, bem sucedidos profissionalmente, que moram na zona sul do Rio de Janeiro, casados e com filhos”. Ou talvez “mulheres jovens, de 17 a 30 anos, estudantes ou recém-formadas, solteiras e que gostam de se vestir bem”.

Já perceberam a armadilha se formando? Estas são segmentações demográficas que, por muito tempo, foram amplamente utilizadas para descrever e diferenciar as pessoas. Porém, cada vez mais, estas pessoas vêm escolhendo como querem ser, independentemente do que mostra sua data de nascimento, o CEP de sua residência ou o estado civil de sua certidão. São as escolhas de vida que determinarão sua identidade e esta identidade será fundamental da determinação de como e o que consomem.

Vamos falar disso com mais calma nos próximos posts?

Abraços, bons resultados e até a próxima.

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